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6Ds. De novo

por Conrado Schlochauer

texto   00 min  29 SET
6Ds. De novo

Tudo começou em 2010. Eu estava nos EUA em um congresso da Bersin. Uma das palestras era da Jayne Johnson, responsável pela formação de Líderes da GE na época. Desde o início da apresentação, ela não parava de fazer referência a um livro chamado “6Ds - The Six Disciplines of a Breaktrough Learning”. Fiquei curioso, baixei o livro e comecei a ler no avião. Não consegui dormir.

Eu me senti completamente conectado a visão, crença e olhar crítico dos autores. Basicamente, eles não aceitam qualquer iniciativa de aprendizagem corporativa sem vínculo direto a uma necessidade (presente ou futura) de negócios.

E o programa tem que ter uma experiência completa de aprendizagem. Ou seja, o antes e depois do “treinamento” é algo mais importante do que a “aula em si”. Se você não conhece as 6Ds e quer conhecer, olha esse vídeo aqui.

Assim que voltei, entrei em contato com os autores para conversar e conhecer um pouco mais o método. A conversa foi ótima. Ficamos amigos, traduzimos o livro para português e a Affero Lab passou a ser representante do método. Desde 2010 representamos e disseminamos as 6Ds em todo o Brasil. E tenho um mega orgulho do impacto que promovemos nos projetos de Educação Corporativa em grandes empresas.

Cinco anos depois, fui apresentado para outros 6Ds. Os 6Ds das Tecnologias Digitais, propostos por Peter Diamandis e Steven Kotler, no livro Bold (traduzido para português com o título de Oportunidades Exponenciais). O impacto foi igualmente perturbador. No bom sentido.

Eu li o livro em 2015. Mas foi na Singularity University (fiz o Programa Executivo lá) que vi esses 6Ds realmente explicados com exemplos de empresas e dados de mercado. O conceito, com 4 anos de existência, passou a fazer muito mais sentido e agora podemos percebê-lo em ação. O tempo todo.

E por que isso é importante para a Educação Corporativa?

Nos últimos anos, temos conversado com empresas e líderes para ajudar nesse processo de entender como a Transformação Digital impacta o processo de desenvolvimento de profissionais das empresas.

E sinto que existem dois grupos que não se falam: os “iniciados” e os “não iniciados”. Os que entendem toda a potencialidade do momento em que vivemos, vibram com isso mas as vezes tem um jeitão arrogante; e os que ainda não entenderam e negam, desprezam ou simplesmente ignoram o momento que vivemos.

Eu gostaria de ser um tradutor disso tudo. E acho que a forma como Diamandis e Kotler explicam a transformação pode ajudar muito a entender um pouco mais as etapas das mudanças exponenciais.

Os 6Ds das Tecnologias Digitais

Para aquecer, a definição dos autores, no livro Bold: “Os 6Ds são uma reação em cadeia da progressão tecnológica, um roteiro do rápido desenvolvimento que sempre leva a uma enorme agitação e oportunidade”.

   1. Digitalização – tudo começa quando alguma coisa é digitalizada, é transformada em 0 e 1. Pode ser música, filme, táxi, agência de viagem. Qualquer coisa (processo, produto ou serviço) que consiga ser efetivamente digitalizada, pode entrar nesse caminho exponencial que acaba impactando a vida de milhões de pessoas e empresas.

   2, Decepção/Engano – normalmente, o início de uma nova tecnologia não é a coisa mais emocionante que existe. Imagine a imagem da primeira câmera digital da Kodak, que tinha 0,01 megapixel de definição. E o “cartão de memória” era uma fita cassete. Quando finalmente a tecnologia conseguiu evoluir e dobrar a capacidade, foi para 0,02 megapixel... O mesmo vale para a impressão 3Ds. Há algum tempo era muito cara, pouco precisa e difícil de utilizar. Quantas impressões deram erradas depois de 8 horas de trabalho? O cenário já começa a se modificar rapidamente.

   3. Disrupção – o que acontece é que, depois de um tempo, determinadas tecnologias seguem uma curva de crescimento e impacto que efetivamente mudam mercados. Na indústria de entretenimento fica claro como a digitalização de filmes e músicas iniciaram de uma maneira decepcionante (e ilegal, em muitos casos). Uma vez que o modelo correto foi identificado (iTunes e depois Spotify), o crescimento exponencial de oferta e adoção efetivamente causaram a disrupção desse mercado.

   4. Demonetização – o impacto seguinte é que o produto e o serviço passam a não ter valor monetário. Ou passam a ter valor irrisório. Você já parou para calcular o valor de cada música que você ouve no Spotify ou filme que você vê no Netflix? Todo dia um monte de indústrias tem que se reinventar porque seu produto ou serviço simplesmente está deixando de ter valor. Alguém na Garmin teve que repensar a indústria quando o GPS foi desmonetizado.

   5. Desmaterialização – além de perder valor, muitos produtos ou serviços deixam de existir no mundo físico. Por isso você tem um GPS, uma enciclopédia, uma (ou duas) câmeras, scanner, relógio, livro, etc, etc, no seu bolso e não paga praticamente nada a mais por isso (sem contar itens menos tecnológicos como espelho, lanterna, binóculo...).

   6. Democratização – o impacto final é que um maior número de pessoas terá acesso ao que for criado com as tecnologias exponenciais. Isso vale para o sequenciamento genético, impressão 3Ds ou robôs. Olhando as matérias sobre o uso do Uber no Brasil dá para entender isso bem. Em janeiro de 2016 existiam cerca de 1 milhão de usuários. Em outubro do mesmo ano chegamos a quase 10 milhões. Do lado da oferta, o número de motoristas cresceu de 7.000 para 50.000, em pouco mais de um ano.

E onde os 6Ds se encontram?

Em primeiro lugar, os dois são frameworks. São óculos que ajudam a entender melhor uma realidade presente e que não sabemos muito bem explicar.

No caso das 6 Disciplinas, ela deixou claro que só fazer “treinamento” adianta muito pouco. Temos que vincular o treinamento a uma questão de performance que impacte diretamente o negócio. Temos que parar de fazer “eventos” e começar a pensar na experiência completa. Temos que documentar os resultados. Quando entendemos esse processo, podemos reavaliar o jeito que fazemos de maneira simples e profunda.

Nos 6Ds da Transformação Digital, conseguimos entender melhor o que está acontecendo no mercado. E, do ponto de vista de mudanças, fica claro que o foco para superação em resultados deve estar em competências fundamentais para um ambiente com o descrito: agilidade, conexão, colaboração, resiliência, curiosidade, autodireção do aprendizado.

E, juntando as 12Ds, não dá para pensar em aprendizagem corporativa sem incluir o mindset digital. Sem ousadia e coragem, em algum momento inesperado, o que chamamos de Universidade Corporativa vai se desmaterializar sem que entendamos muito bem o que aconteceu.

Enfim, temos que começar nós mesmos e hackear a Aprendizagem Corporativa por dentro.

Referência para mergulhar um pouco mais:
https://singularityhub.com/2016/11/22/the-6-ds-of-tech-disruption-a-guide-to-the-digital-economy/

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