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Mitos sobre aprendizagem que podem estar atrasando você (parte 2)

Mitos sobre aprendizagem que podem estar atrasando você (parte 2)

por Alexandre Santille

texto   00 min  21 MAI
Mitos sobre aprendizagem que podem estar atrasando você (parte 2)

Na parte 1 deste artigo, compartilhei algumas “verdades” sobre aprendizagem, que na realidade, eram mitos. Mitos que muitas vezes podem ter atrasado ou confundido a prática de educação, principalmente de adultos. 

De fato, fiquei feliz com o feedback dos leitores. Como prometido, seguem outros 5 mitos. 

6. É importante aprender isso, um dia você irá precisar  

Apenas dizer às pessoas que algo é importante não basta. Quando nos dizem como agir ou pensar, por exemplo, podemos nos sentir ameaçados ou excessivamente direcionados. Ao invés disso, as pessoas precisam encontrar significado nas atividades propostas. Em outras palavras, entenderem o valor de aprenderem algo novo. É sobre fazer a conexão entre o que as pessoas estão aprendendo e o que está acontecendo em suas vidas. Compreender o valor do aprendizado é o mecanismo para a motivação. Alunos que apenas “estudam "um texto aprendem menos do que os alunos que conseguem dar significado.

Nesse sentido, o papel do professor/orientador é fundamental: um dos melhores professores que eu tive não pedia apenas para lermos um artigo, mas sim fazermos 3 perguntas conectando o assunto do texto à nossa realidade. 

 7. Você deve ficar sempre com a sua primeira resposta

Ao longo dos vários testes que já fizemos na vida, você já deve ter se perguntado: será que a primeira alternativa que eu escolhi (normalmente de forma mais automática) está correta? Estudos dizem que, 75% dos estudantes universitários e 55% dos professores acreditam que mudar a resposta inicial não é uma boa ideia. Apesar da popularidade dessa teoria, pesquisas mostram que reconsiderar suas respostas pode valer a pena: em média, as pessoas que mudam suas respostas, pontuam mais nos testes do que aquelas que confiam no primeiro palpite. 

Ou seja: se você tiver tempo, não custa dar uma segunda olhada. 

 8. Inteligência é fixada no nascimento

Muitos acreditam que inteligência é algo que você tem ou não tem, ou seja, não consegue mudar ao longo da vida. Felizmente a realidade é outra: muitos estudos têm indicado que o nosso QI pode aumentar com o tempo, se devidamente estimulado. Inclusive o aprendizado em si ajuda a melhorar a inteligência. Os dois fatores estão profundamente interligados. Nas últimas décadas, por exemplo, as pontuações de QI têm aumentado e muitos especialistas acreditam que uma das causas é a maior escolarização.

A pesquisa sobre a mentalidade de crescimento (growth mindset), em que as pessoas acreditam que sua inteligência pode melhorar, versus uma mentalidade fixa (fixed mindset), mostra que as crenças influenciam o desempenho das pessoas. Ou seja, a própria crença na maleabilidade da inteligência podem levar a um melhor desempenho.

Algumas dicas para cultivar uma mentalidade de crescimento:

  • Aprenda com os seus erros
  • Foque no seu esforço, não no "talento natural"
  • Não se preocupe em agradar os outros
  • Cultive um senso de propósito

9. Elogiar a inteligência irá motivar os alunos

Na intenção de motivar nossos filhos, alunos e até colaboradores da empresa, muitas vezes elogiamos a sua capacidade e inteligência dizendo coisas como “Uau, isso é muito inteligente” ou “Você é realmente bom nisso”. 

Porém, a mesma pesquisa sobre mentalidade de crescimento da psicóloga de Stanford Carol Dweck, descobriu que este tipo de elogio pode na verdade, prejudicar o processo de aprendizagem ou até mesmo desencorajar as pessoas a correrem riscos.

Então afinal, o que devemos elogiar em uma pessoa: habilidade ou inteligência? 

Dweck mostra que elogiar o esforço e a persistência é uma maneira muito melhor de motivar as pessoas a trabalharem duro e continuarem melhorando. Isso ocorre porque elogiar o esforço ao invés da capacidade, ajuda a promover a ideia de que a inteligência é maleável e que tentar e fracassar faz parte do processo de aprendizagem. Com isso, em vez de ter medo de cometer erros e se sentir “burro”, o aluno percebe que seu cérebro é como um músculo que precisa ser fortalecido e que os erros podem realmente ajudá-lo a atingir seu potencial máximo.

10. Existem atalhos para a aprendizagem

Aprender exige esforço, ainda que os resultados sejam recompensadores.

Apesar de todos os modismos, a aprendizagem sempre será um processo que requer tempo e dedicação. Portanto, embora a compreensão de como o cérebro funciona possa nos dar pistas de como aprender de formas diferentes, o resultado final é que não há fórmula mágica.  Da próxima vez que alguém lhe contar sobre um aplicativo ou método que parece bom demais para ser verdade, desconfie. Use-o com cuidado, lembrando de analisar criticamente as afirmações e procurar evidências.

Espero ter contribuído com todos que acreditam na aprendizagem ao longo da vida (lifelong learning) como uma prática fundamental para a realização pessoal e profissional!

 Fontes:

Five Popular Myths About Learning That Are Completely Wrong by Stephanie Vozza, fastcompany.com May 17, 2017.

The Perils and Promises of Praise by Carol Dweck in Educational Leadership October, 2007.

Improving Students' Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology. Jan 14, 2013.

Boser, Ulrich. Learn Better . Potter/Ten Speed/Harmony/Rodale. 2017

por Alexandre Santille