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O que vocês estão fazendo?

O que vocês estão fazendo?

por Conrado Schlochauer

texto   00 min  25 MAI
O que vocês estão fazendo?

Desde junho do ano passado, quando saímos da empresa que fundamos aos 22 anos, todo mundo nos pergunta o que estamos fazendo.

Em um sabático? Viajando o mundo?

Ficamos esse tempo todo sem responder porque decidimos estruturar e colocar nossa visão para funcionar antes de simplesmente anunciar nossos planos.

Esse texto é uma versão longa que conta o que fizemos nesses últimos 9 meses, porque fizemos e como estruturamos o projeto mais deliciosamente ambicioso no qual já embarcamos.

Se você realmente tiver interesse em entender onde estamos, convidamos você a ler até o fim.

Não, os últimos meses não foram preenchidos com viagens pelo mundo (esses planos ficarão um pouco mais para frente). Eles foram repletos de pesquisa, pensamento, trabalho, troca de conhecimento com gente ultra-inspirada e muita, mas muita conversa.

COMO TUDO COMEÇOU

Para quem não sabe, somos sócios desde os 22 anos, quando criamos a SSJ em 1992. Ao longo de 10 anos, tivemos 140.000 alunos. Nossos cursos foram divisores de carreira e de vida para muita gente. Tudo isso só foi possível porque trabalhamos em parceria com empresas juniores de todo o país.

Em 2001 nasceu o Lab SSJ. Novamente, tivemos a sorte de poder contar com um coletivo de pessoas incríveis, que dividiram seus talentos e sonhos conosco. Juntos, criamos uma das mais bacanas, inovadoras e impactantes empresas de aprendizagem corporativa do Brasil. E temos orgulho de termos sido o "Lab", como a empresa era carinhosamente chamada, muito antes da hype atual. Fomos o primeiro laboratório de inovação e experimentação de novas práticas em aprendizagem corporativa.

Não dá para falar desse período sem mencionar da Dani Torres - nossa amiga e sócia que está vivendo atualmente em terras canadenses, e o Mauro Mercadante, eterno parceiro que continua com a gente, sempre nos enchendo de provocações e ideias.

O tempo todo tivemos ao nosso lado um grupo de clientes corajosos e abertos para as loucuras e inovações que propomos no lugar dos treinamentos tradicionais.

Ao longo de toda nossa vida só conseguimos crescer e impactar pessoas por que estávamos em rede.

Por isso, nesse novo momento, sentimos que não fazia sentido simplesmente fundar uma nova empresa.

Queríamos encontrar uma forma de colocar nosso propósito no mundo e potencializar nosso impacto. Um jeito de tornar o aprendizado ao longo da vida (lifelong learning) uma realidade viável para o maior número de pessoas possível.

Também queríamos descobrir como aplicar de verdade nosso conhecimento e curiosidade para entender como novas tecnologias e novos modelos de negócios impactarão a aprendizagem de adultos dentro e fora das organizações.

Acreditamos que nunca foi tão importante aprender e saber como aprender. E que nunca tivemos ferramentas digitais, comunidades globais (online e presenciais) de conhecimento e troca, novos devices de realidade mista, como AR e VR, inteligência artificial para personalizar o aprendizado cada vez mais. Tudo isso por meio de um acesso infinito a conteúdos e experiências. Todos podemos ser aprendizes eficientes e apaixonados pela nossa capacidade de expandir nossas potencialidades.

Então, nessa novas fase, queremos entender como podemos criar um espaço para reinventar a aprendizagem pessoal e profissional de adultos no Brasil e no mundo.

Após conversar com muita gente - créditos especiais ao Bob Wolheim - decidimos formar a TEYA, um ecossistema de inovação em aprendizagem com o propósito de tornar o aprendizado ao longo ao vida uma realidade para milhões de pessoas.

TEYA: UM MUNDO COM MAIS LIFELONG LEARNING

Começamos a construir nossa TEYA com quatro áreas de atuação complementares:


1. Pesquisa e criação de conhecimento

Sentimos falta de pesquisas aprofundadas e com olhar científico para o fenômeno da Lifelong Learning e seu impacto na sobrevivência e crescimento de pessoas e organizações. Pesquisas que gerem novos olhares, tecnologias e ferramentas que sejam efetivamente transformadoras.

Baseado em nossas experiências de pesquisa como PhDs e com uma rede global de pensadores e inovadores, criamos o Instituto Teya. Ele será um espaço para a realização de pesquisas inovadoras e originais, oferecendo incentivo e estrutura a todos que queiram gerar conhecimento de maneira estruturada e inovar nesse segmento, dentro e fora da academia. Um think tank para todos que acham que o modelo atual de treinamento e desenvolvimento já não funciona mais. O Instituto Teya está estruturado formalmente como uma entidade sem fins lucrativos (ICT) e é coordenado pela Mariana Jatahy.

Nesse momento temos duas iniciativas acontecendo:

  • Livro Core Skills: em parceria com o Alex Bretas e a Tonia Casarin, estamos terminando de escrever um livro com um olhar diferente sobre as competências e habilidades do século XXI. O livro deve sair no início de agosto.
  • Pesquisa: estamos na segunda fase de uma pesquisa sobre workplace learning, utilizando modelos preditivos para identificar as variáveis que potencializam o aprendizado dentro das empresas. Participam dessa pesquisa Onicio Leal, além do Alex Bretas e da Mariana Jatahy. A primeira fase da pesquisa será divulgada em Maio.


2. Empreendedorismo e Start ups

Investimos e oferecemos mentoria para empresas e empreendedores que compartilham do nosso propósito. Pessoas que não acreditam mais no modelo tradicional e propõem novos caminhos. Start ups que preferem ser LearnTechs, e não EdTechs. Inovadores que pensam como as tecnologias exponenciais podem impactar a forma como adultos aprendem em todo o mundo. Sem modismo, buzzwords ou criação de soluções ótimas para problemas que não existem.

Nossos critérios de investimento são simples:

  • Acreditamos no negócio? Vamos além de valuation, pitches ou ppts lindos. Queremos saber se o negócio tem potencial transformador e, principalmente, se ele propõe novos caminhos para a aprendizagem corporativa e para o Lifelong Learning.
  • Gostamos e acreditamos nos empreendedores e empreendedoras? Tem conexão pessoal? Admiramos a capacidade realizadora do time? Gostamos de bater papo e tomar cerveja (ou suco) com eles? Dividimos valores e visão de mundo?
  • Podemos ajudar o negócio? Fazemos investimentos em empresas no início de suas operações e queremos oferecer smart money de verdade. Para isso, avaliamos se temos como oferecer ideias, caminhos e contatos para aumentar a velocidade de crescimento e impacto dessas startups.

Nosso primeiro investimento foi na Top2You, com a Simone Madrid, Thiago Correia e Marcio Minnuzi. A Top2You é uma plataforma de mentoria on line para quem acredita que conversas encurtam distâncias. Este link tem uma matéria que conta um pouco da empresa.

E, como ecossistema, estamos perto de startups e iniciativas que farão parte da TEYA mesmo sem ter uma relação de investimento direto.


3. Parcerias 

Além de pesquisar e trabalhar com novos empreendedores, a TEYA terá um braço ativo, atuando diretamente na criação de parcerias que possam nos ajudar na realização do nosso propósito.

A Teya já nasce com duas iniciativas estruturadas.

A Ally Code um empresa de tecnologias emergentes que gosta mais de inovação, do negócio do que das próprias tecnologias. Que alia humano a tecnologia. E que conhece de forma prática como tecnologias emergentes podem impactar negócios. A Ally tem como sócio Alexandre de Luccia, que trabalhou conosco durante muito tempo ao longo desse tempo novo e tem o papel de provocar e implementar iniciativas de tecnologia em todo o ecossistema.

A Cloo+Teya é uma parceria com a Cloo, empresa de Portugal, formadas por cientistas comportamentais que têm como missão melhorar a vida das pessoas através da aplicação das ciências comportamentais. Ofereceremos alternativas a treinamentos tradicionais em situações em que a mudança de comportamento não está vinculada a conhecimento, mas a outros fatores. No Brasil a operação é conduzida pelo Gui Afif e pelo Fernando Quintino.

Ainda esse ano teremos outras iniciativas, sempre com foco na transformação da aprendizagem corporativa no Brasil e no mundo.


4. Aprendizagem Corporativa

Em breve voltaremos a atuar diretamente nesse campo. E teremos muita coisa nova para mostrar e contar.

Finalmente, para nós é importante dizer que na Teya, propomos a criação de empresas que tenham desde o princípio um novo olhar de gestão e governança. Que ofereçam autonomia, coragem e prazer, no lugar de controle, medo e stress. Organizações que entendam como a complexidade do mundo deve ser vivida com olhar sistêmico e não com mais regras e políticas. Que entendam que rotatórias são mais eficientes que semáforos. Que tratem adultos como adultos e acreditem que todo mundo quer dar o melhor de si quando vai trabalhar e se motiva com projetos desafiadores e de impacto.

Como está claro: o desafio é gigante. Nossa vontade de fazer é maior ainda.

Nesses 8 meses que estivemos montando tudo isso que apresentamos, estivemos ao lado de pessoas especiais - além da Mariana Jatahy e do Alex Bretas, que já atuam diretamente conosco, tivemos uma importante participação do Max Nolan (Dervish), da Carolina Fernandes (AVO) e do Stevan Justo (Sou), dentre outras. Eles de coração já fazem parte desse ecossistema, por nos ajudarem a criá-lo. 

Agora é hora de convidar mais pessoas para a TEYA. Se você tem interesse em estar mais perto da gente, acesse o menu participe.

Obrigado pelo carinho e energia de todo mundo que está insistentemente perguntando quando voltamos. Essa insistência foi um baita elogio para a gente.

Voltamos. Alías, nunca saímos.

por Conrado Schlochauer