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We are open

We are open

por Conrado Schlochauer

texto   00 min  19 MAI
We are open

Em 1º de julho do ano passado começou um período bem diferente na nossa vida. 

O principal motivo foi nossa saída como sócios da empresa que fundamos ainda na faculdade. Foi um momento de emoções diversas. Orgulho pelo que construímos, pelo impacto que geramos, pelas histórias que criamos e pelas pessoas que conhecemos (esse vídeo é um presente das pessoas que trabalharam conosco).

Ao mesmo tempo, uma sensação deliciosamente estranha de estarmos com uma folha em branco na nossa frente de novo. Mais estranha ainda porque só poderíamos desenhar parte do nosso futuro nela um ano depois.

Como sempre acontece nos casos de transações que incluem venda de participação, esse período incluiu uma etapa de “non-compete”: 12 meses em que não poderíamos atuar na nossa área. 

Um ano inteiro sem poder fazer o que fizemos nos últimos 30. 

De início, ficou claro que teríamos que canalizar nossa energia empreendedora de maneira sábia para não pirarmos. E não, não seria (nem foi) um sabático, mas um momento de pensar e definir o que acreditávamos e o que queríamos fazer nos próximos anos.  

O primeiro passo foi o alinhamento e a reconfirmação do nosso propósito: fazer a aprendizagem ao longo da vida tornar-se realidade para milhões de pessoas.

Pensamos então em como poderíamos fazer isso. E aí vem a importância do nosso non-compete: o que era uma proibição de concorrer se transformou em um convite à reflexão, à pesquisa, à conversa e, especialmente, ao questionamento do nosso olhar sobre o que construímos ao longo das nossas vidas.

Há alguns meses, contamos neste artigo sobre a estruturação da Teya, um ecossistema de iniciativas inovadoras em aprendizagem. A Teya representa a materialização de nossos questionamentos e ideias em uma nova aventura. 

A reação ao artigo foi deliciosa. Claramente não estávamos sozinhos. Mas uma pergunta surgiu com insistência: “Por que um ecossistema? Aliás, o que é um ecossistema?”.

A primeira resposta é fácil: sozinhos e com um único olhar não conseguiríamos chegar onde queríamos. Por isso um ecossistema: um conjunto de pessoas que se gostam, pensamentos que se complementam e empresas que compartilham o mesmo propósito. 

Atuar assim nos faz aprender o tempo todo na prática. Nos permite descobrir e oferecer abordagens que não seríamos capazes de oferecer se fôssemos apenas uma “consultoria”. Sem esse olhar, correríamos o risco de simplesmente "oferecer nosso portfólio para o mercado".

Como ecossistema, estamos abertos em relação a métodos, temas, modos de trabalho, etc. Estamos abertos a pessoas, empresas e ideias que nos ajudem a aumentar nosso impacto.

Nosso papel? Criar um ambiente que atraia essas pessoas. E contribuir com a visão e experiência com aprendizagem de adultos que acumulamos nesses anos todos. 

Nesse período, fizemos um monte de coisas. Criamos o Instituto Teya, um instituto de ciência e tecnologia com foco em aprendizagem ao longo da vida. Fizemos uma joint venture com a Cloo, empresa portuguesa de Economia Comportamental. Investimos na Top2You, startup que desenvolve uma plataforma de mentoring online com conversas que encurtam distâncias. Participamos da estruturação da Ally Code, a empresa de tecnologia que alimenta todo o ecossistema.

E tudo isso com a parceria e o olhar da Mariana Jatahy e do Alex Bretas, que outros que nos desafiam e ensinam a cada dia.

E hoje, primeiro de julho, podemos oficialmente falar que nosso non-compete acaba. Voltamos a poder atuar diretamente em Educação Corporativa.

Então, parte desse post é, sim, para falar: “we are open!” 

Mais do que isso, estamos abertos e com uma mudança importante: Mauro Mercadante, nosso sócio no Lab SSJ passa a se integrar à Teya como membro e fundador do nosso ecossistema. E com ele, toda sua energia, provocação, experiência e inteligência. Construímos juntos uma das empresas mais legais da área e nos orgulhamos do impacto que causamos, o que nos faz encher a boca: “we are back!” 

Esse período de portas fechadas e reflexão nos fez pensar sobre qual nossa visão de aprendizagem e as ofertas de educação corporativa que acreditamos que realmente fazem sentido para as empresas.

E chegamos a uma conclusão dura: não acreditamos mais em treinamento.

Não do jeito que ele acontece normalmente: ações pontuais pouco conectadas com o negócio. E menos conectadas ainda com as pessoas. 

Ainda que não acreditemos em treinamento, nunca aprendizagem foi tão importante para empresas, pessoas e o planeta. Em recente pesquisa, CEOs globais relataram sua preocupação com o risco de não termos pessoas preparadas para um mundo em transformação acelerada.

Portanto, não podemos acabar com “a área de RH”, mas precisamos reinventá-la.

Acreditamos que o foco deve ser o desenvolvimento de uma Cultura de Aprendizagem sólida e verdadeira nas empresas. Estamos voltando com um olhar diferente. Nossa visão sobre Aprendizagem Corporativa pode ser sintetizada em quatro pontos:

TODO APRENDIZADO É AUTODIRIGIDO: o gestor é a segunda pessoa mais importante no processo de criação de Cultura de Aprendizagem. O aprendiz é a primeira, sempre.

APRENDIZADO ACONTECE NO TRABALHO E NA VIDA: faz pouco sentido hoje parar de trabalhar, ir, aprender e voltar. Em um Cultura de Aprendizagem forte, aprender, viver e performar devem ser integrados.

RH NÃO É O DONO DA ESCOLA: em empresas com uma Cultura de Aprendizagem forte, a área de RH não atua como a grande provedora de conteúdo. Ela facilita e estimula que o processo de aprendizagem aconteça de maneira fluida, contínua e efetiva.

APRENDIZADO É PERFORMANCE: no ambiente corporativo, aprendizado é sinônimo de melhoria de performance. Individual, do time e da empresa. As experiências de aprendizagem devem sempre estar vinculadas às necessidades das pessoas e do negócio.

Este post não tem a intenção de apresentar uma lista de ofertas, temas e métodos. Ele foi escrito para comemorar um período novo para a Teya e celebrar a vinda do Mauro.

E também para dizer que, se você atua em uma empresa grande com a coragem de impactar seu negócio e suas pessoas por meio de aprendizagem, adoraríamos bater um papo e apresentar alguns caminhos estruturados para repensar a Educação Corporativa.

Afinal, we are open.

por Conrado Schlochauer